quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Educação (Platão)

Estrangeiro — E como designaremos a parte do ensino que nos livra da ignorância?
Teeteto — Eu, de mim, Estrangeiro, acho que a parte restante tem o nome de ensino profissional; a outra, pelo menos entre nós, é denominada educação.
Estrangeiro — O mesmo se observa, Teeteto, entre os demais helenos. Porém ainda nos falta considerar se a educação é um todo indivisível ou se comporta alguma divisão merecedora de nome especial?
Teeteto — Falta isso, realmente.
XVII — Estrangeiro — Quer parecer-me que neste ponto ela é divisível.
Teeteto — Onde?
Estrangeiro — No ensino pelo discurso, ao que parece, há um trecho mais áspero e outro mais liso.
Teeteto — E que qualificativo lhes daremos?
Estrangeiro — Um deles é o método vetusto e venerável que nossos pais geralmente seguiam na educação dos filhos, e que ainda hoje muitos adotam quando os vêem cometer alguma falta, misto moderado de reprimenda e advertência, e que no todo poderia ser chamado exortação.
Teeteto — Isso mesmo.
Estrangeiro — Por outro lado, depois de maduras reflexões, há os que opinam que toda ignorância é involuntária e que nenhum dos que se julgam sábios se dispõe a aprender seja o que for daquilo em que se considera forte. Assim, com todo seu trabalho, o método educativo pela admoestação alcança resultados medíocres.
Teeteto — Pois têm razão de pensar dessa maneira.
Estrangeiro — Daí, adotarem outro processo para se livrarem de semelhante presunção.
Teeteto — Qual é?
Estrangeiro — Formulam uma série de perguntas sobre assunto em que o interlocutor pensa responder com vantagem, quando a verdade é que não diz coisa com coisa; depois, aproveitando-se de sua desorientação lhe rebatem facilmente as opiniões, que eles amontoam na crítica a que as submetem e, confrontando umas com as outras, mostram como se contradizem sobre os mesmos objetos em idênticas relações e igual sentido. Os que se vêem assim confundidos, acabam por desgostar-se de si próprios e passam a mostrar-se mais dóceis com relação aos outros; isso os livra do exagerado conceito que faziam deles mesmos, o que, de todas as liberações, é a mais agradável de se ouvir e a de melhor efeito para o interessado. O que se dá, meu caro menino, é que esses purificadores pensam exatamente como os médicos do corpo, os quais acreditam que o corpo não tira benefício algum dos alimentos sem primeiro remover alguém o que o perturba. O mesmo pensam aqueles a respeito da alma, que não pode colher vantagem dos ensinamentos ministrados, enquanto não for submetida a crítica rigorosa e a refutação não a fizer enrubescer de vergonha, com livrá-la das falsas opiniões que servem de obstáculo ao conhecimento e, assim purificada, levá-la à convicção de que só sabe o que realmente sabe, nada mais do que isso.
Teeteto — Sem dúvida; essa é a melhor e mais sábia disposição.
Estrangeiro — Por isso mesmo, Teeteto, devemos dizer que a refutação é a maior e mais eficiente purificação, sendo forçoso concluir que o indivíduo que se eximir a esse processo, ainda mesmo que se trate do grande Rei, é impuro no mais alto grau, ignorante e deformado naquilo em que deveria mostrar-se mais extreme e mais belo, caso queira alcançar a verdadeira felicidade.
Teeteto — Perfeitamente.

Platão. Sofista 229-231a

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Ignorância

"Nada saber e crer que se sabe; temo que aí esteja a causa de todos os erros aos quais o pensamento de todos nós está sujeito"

Estrangeiro (Platão, Sofista 229c)

Samir Bezerra Gorsky

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Exercícios para o pensamento

a) Faça uma redação com o seguinte tema:

tudo o que eu percebo a minha volta.

b) Faça uma leitura sobre a monadologia de Leibniz.

Todas as mônadas percebem, algumas tem consciência disto e poucas possuem conhecimento. (Reale & Antiseri. História da filosofia vol. 4 pp45 ss).

c) Por que duas pessoas produzem descrições diferentes diante de um mesmo objeto? (colocar a questão Leibniziana da "identidade dos indiscerníveis".
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Obras de Aristóteles

"...a chamada obra de Aristóteles. E dizemos intencionalmente a chamada obra porque é impossível admitir que uma tão grande soma de conhecimentos, de reflexões, de observações e experiências, de trabalhos científicos e monográficos, pudesse ser realizada por um só homem cuja vida não foi além dos sessenta e dois anos. Esse trabalho só poderia ser realizado por vários, embora vigorosamente animado e dirigido por um."

Sant'Ana Dionísio, Pedagogia Culminante dos Gregos, 1962

A obra literária de Aristóteles pode repartir-se em duas classes: as esotéricas, escritas para o público em geral, e as acromáticas, escritas para um círculo limitado composto por todos aqueles que estivessem familiarizados com o pensamento da escola de Aristóteles. Estão nesta última classe os Diálogos, dos quais os mais conhecidos são Eudemo, três livros Sobre a Filosofia, quatro livros Sobre a Justiça, e ainda os tratados, não sob a forma de diálogos, e infelizmente perdidos, Sobre o Bem e Sobre as Ideias. Podem ainda referir-se nesta categoria, Poemas, Cartas, Orações, Apologia havendo dúvidas quanto à sua efectiva autoria.

À classe dos escritos acroamáticos, pertencem todos os outros trabalhos, alguns dos quais que se perderam, nomeadamente alguns tratados de anatomia e uma colectânea das diferentes constituições políticas dos estados gregos, tendo, no entanto, uma parte deste, que descreve a constituição de Atenas, sido descoberto num papiro egípcio publicado em 1891.

Os trabalhos restantes , cujos títulos se apresentam em latim, podem dividir-se em:

Tratados de Lógica:

Categorias
De Interpretatione
Analytica Priora, 2 livros
Analytica Posteriora, 2 livros
Topica, 8 livros
De Sophisticis Elenchis


· Tratados metafísicos

Metaphysica, inicialmente intitulado por Aristóteles de Prote Philosophia (Primeira Filosofia), constituída por 14 livros.

· Tratados de Física:

Physica, 8 livros
De Coelo, 4 livros
Meteorologica, 4 livro


· Tratados de Biologia e Zoologia:

Historiae animalium, 9 livros
De Generation et Corruption, 2 livros
De Generatione Animallium, 5 livros
De Partibus Animalium, 4 livros


· Tratados de Antropologia e Psicologia:

De Anima
De Sensu et Sensibili
De Memoria et Reminiscentia
De Vita et Morte
De Longitudine et Brevitate vitae


· Tratados de Política e Ética:

Ethica Nichomachea
Politica, 8 livros


· Tratados de Poesia e Retórica:

Poética
Retórica

Destes trabalhos, alguns foram escritos na sua forma actual e são exposições científicas escritas com esse intuito por Aristóteles. Outros, embora também escritos por Aristóteles, resultam de notas de apoio às aulas do liceu para serem complementadas oralmente durante as mesmas. Algumas notas terão sido, provavelmente, escritas por discípulos de Aristóteles, sem qualquer intervenção do mestre.

Manuscrito de Aristóteles

A biblioteca de Aristóteles, incluindo os manuscritos dos seus próprios trabalhos, foi legada a Teofrasto, que o sucedeu no Liceu, o qual, por sua vez deixou esse legado ao seu herdeiro Neleu de Scepsis. Após a morte de Neleu, os manuscritos foram escondidos, e assim permaneceram durante cerca de dois séculos, até que Sila os descobriu e os trouxe para Roma, onde foram copiados por volta de 70 d.C.

Samir Bezerra Gorsky
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Obras de Platão

A obra de Platão é uma jóia da literatura de todos os tempos e um monumento filosófico de valor eterno. As questões postas, dizendo respeito á conduta ética e política dos atenienses, ao seu comportamento como indivíduos e em sociedade, gozam da maior pertinência vinte e quatro séculos depois. A sua finalidade é sempre a busca da verdade por meio da dialéctica.


Na grande maioria dos diálogos, a figura central é Sócrates, que interroga, argumenta e discute com um vasto leque de personagens, na maioria dos casos sofistas ou figuras que representam a estrutura da cidade. Alguns deles são expressamente dedicados ao mestre, quer para contar o processo de que foi alvo e a sua defesa em tribunal (Apologia), quer a sua permanência na prisão (Críton), quer os últimos momentos antes de beber a cicuta (Fédon).

A colecção das obras de Platão compreende trinta e cinco diálogos e um conjunto de treze cartas. Os seus diálogos podem ser considerados dentro de quatro períodos distintos:


· Diálogos considerados de juventude ou socráticos, até cerca de 390 a.C. (antes da morte de Sócrates).

Apologia de Sócrates
Críton ou Do Dever
Íon ou Da Ilíada
Laqués ou Da coragem
Lísis ou Da Amizade
Cármides ou Da Sabedoria
Eutífron ou Da Santidade

· Diálogos ditos de transição:

Eutidemo ou Da Erística
Hípias menos ou Da Mentira
Crátilo ou Da Etimologia
Hípias Maior ou Do Belo
Menexeno ou Do Epitáfio
Górgias ou Da Rétorica
República - livro I
Protágoras ou Dos sofistas
Ménon ou Da Virtude


· Diálogos de maturidade (escritos provavelmente entre 387 a.C. e 368 a.C.):

Fédon ou Da Alma
Banquete ou Do Bem
República - livros II a X
Fedro ou Da Beleza


· Diálogos considerados de velhice:

Parménides ou Das Formas
Teeteto ou da Ciência
Sofista ou Do Ser
Político ou Da Realeza
Filebo ou Do Prazer
Timeu ou Da Natureza
Crítias ou Da Atlântida
Leis (inacabado)


Há ainda outras obras cuja autoria é contestada: Alcibíades I e II, Epinómide ou Do Filósofo, Hiparco, Minos, Os Rivais, Téages e Clítofon.
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